domingo, 4 de novembro de 2012

Pablo me disse:

NÃO ESTEJAS longe de mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.

Não te vás por um hora porque então,
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda fumaça que anda buscando casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem amada,

porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixaras morrendo.

De Pablo Neruda,
Cem Sonetos de Amor.

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