segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

28!

Não te quero senão porque te quero, 
e de querer-te a não querer-te chego, 
e de esperar-te quando não te espero, 
passa o meu coração do frio ao fogo. 

Quero-te só porque a ti te quero, 

Te odeio sem fim e odiando-te rogo, 
e a medida do meu amor viageiro, 
é não te ver e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro, 
seu raio cruel, meu coração inteiro, 
roubando-me a chave do sossego, 

Nesta história só eu morro

e morrerei de amor porque te quero, 
porque te quero, amor a sangue e fogo.

                             Pablo Neruda 

*Extraído do livro : "Cem sonetos de amor"

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